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“A Vida que Vale a pena ser Vivida”
08/05/2017

“A Vida que Vale a pena ser Vivida”

Muito bom humor e uma grande dose de filosofia: essas são as características que podem definir a palestra realizada na terça-feira, 25/04, pelo renomado professor Clóvis de Barros Filho para a abertura do Programa VER São Paulo Center de 2017.

Reconhecido por ser um dos maiores filósofos dos tempos atuais, Clóvis falou sobre um tema pertinente em nossa sociedade e que é um dos títulos do seu livro: “A Vida que Vale a Pena ser Vivida”.

Com diversas citações de Aristóteles e por meio de suas colocações de experiência de vida, Clóvis nos leva a refletir sobre nossos pensamentos, atitudes e ideias acerca da tão desejada felicidade.

Como por exemplo, ao citar a célebre frase “Conhece-te a ti mesmo” do filósofo grego Aristóteles, ele enfatiza a questão da descoberta pessoal por meio da experiência de vida, dizendo que “existem certas sabedorias que não aprendemos lendo, mas sim, vivendo.”
E que devemos fazer das nossas trajetórias, descobertas, uma vida feliz.

Instigador por natureza, destaca:

“A verdade é que a gente está em um lugar diferente de onde queremos estar, e isso nos fragiliza.”

Por isso, a necessidade de conhecer a nós mesmos.

Muitas vezes, entramos em uma rotina em que repetimos pensamentos comuns e que nos levam, pouco a pouco, ao oposto do que queremos, que é a felicidade. Um exemplo disso é a questão da espera ansiosa por todo sábado e domingo:

“Esperar a semana acabar é assinar um atestado de triste.”
  E “triste aquele que avalia o valor do trabalho pelo salário”, afinal, “a alegria está na magnitude daquele trabalho”.

Devemos fazer o nosso melhor no dia a dia, “não há nenhuma desculpa para não fazer melhor do que ontem.”

Há 30 anos dando aula, também afirma: “A capacidade de amar é a condição de uma vida que vale a pena ser vivida”. Diversos são os aprendizados e os convites à reflexão de uma forma leve e, ao mesmo tempo, profunda propostas por Clóvis, que mencionou:
“A verdade é que não tem fórmula para todos, devemos procurar aquilo que nos alegra. E aquilo que nos agrada hoje, pode não alegrar amanhã”. Ou seja, “A alegria de hoje não garante a alegria de amanhã”, pontuou ao exemplificar o fato de pessoas bem sucedidas no passado que às vezes, não são na atualidade.

E para nós, fica a pergunta, “Como posso ter certeza se esse momento que estou vivendo é feliz?”

A resposta proporciona um leque de autoconhecimento, pois para responder essa indagação, basta refletirmos sobre as próximas questões:

“Será que eu gostaria que esse momento durasse mais?”
“Será que eu gostaria que esse momento acontecesse mais vezes?”

Clóvis relatou isso em sua história de vida: até aos 13 anos de idade, vivia muito mal, sem sentido existencial. Era visto como um cdf, tirava excelentes notas no colégio, mas não vibrava com nada. Seu pai, em tentativas de fazê-lo feliz, levava-o ao estádio para assistir jogos e até mesmo em escola de arte, porém, sem sucesso: recebia em troca expressões forçadas de felicidade do filho – que agia desse modo para não frustrá-lo. No entanto, a situação mudou completamente quando, no primeiro colegial, seu professor de Geografia solicitou aos alunos a apresentação de seminários. Então, por meio dessa experiência, Clóvis descobriu que falar em público / ensinar era, para ele, motivo de grande felicidade e desejava que esse momento não terminasse.
“O momento de felicidade é o momento que você gostaria que não acabasse tão cedo”, exemplifica ao comentar o que a filosofia grega tenta explicar.